Queimaduras são lesões dos tecidos orgânicos na sequência de trauma de origem térmica, eléctrica, substâncias químicas, radiações, atrito ou fricção.

Classificação das Queimaduras

Determinar o grau da lesão é determinar a profundidade da queimadura (se atingiu epiderme, derme ou outros tecidos). Muitas vezes, a diferenciação entre os grupos de lesões pode ser difícil e o diagnostico certo só pode ser realizado através de histopatologia do tecido.

Queimadura de primeiro grau

Queimadura de primeiro grau

Atinge a epiderme e não provoca alterações na hemodinâmica. Clinicamente, caracteriza-se por eritema e dor local sem a presença de bolhas ou flictemas. Um bom exemplo é a queimadura solar.

Queimadura de segundo grau

Queimadura que atinge tanto a derme como a epiderme. A característica mais marcante é a presença de bolhas.

Queimadura de terceiro grau

É uma queimadura que acomete todas as camadas da pele e pode atingir também outros tecidos.

Causas

– Queimaduras térmicas: causadas por calor e são as mais frequentes.
– Queimaduras químicas: causadas por produtos químicos.
– Queimaduras eléctricas: causadas por descargas eléctricas.
– Queimaduras por radiação: causadas por raios solares.
– Queimaduras por atrito: causadas por fricção excessiva.
– Outras.

Sintomas

– Dor e inchaço na zona do corpo queimada.
– Bolhas.
– Podem surgir dores de cabeça e tonturas.

Queimaduras que devem ser encaminhadas a um centro especializado de queimados

– Queimaduras de espessura parcial superiores a 10% da superfície corporal.
– Queimaduras que envolvem a face, mãos, pés, zona genital, períneo e/ou articulações importantes.
– Queimaduras de terceiro grau em grupos de qualquer idade.
– Queimaduras causadas pela electricidade, inclusivamente aquelas causadas por raios.
– Queimaduras químicas.
– Lesão por inalação.
– Queimadura em doentes com problemas médicos preexistentes.
– Qualquer doente com queimadura ou trauma concomitante (tais como fracturas, etc), no qual a queimadura apresenta um maior risco de morbilidade ou mortalidade.
– Crianças queimadas sendo tratadas em hospitais sem pessoal qualificado ou equipamentos para o cuidado do caso.

Tratamento

Primeiro atendimento do doente queimado.

Exame Básico

– Vias aéreas.
– Boa respiração.
– Circulação.
– Dano neurológico.
– Exposição.

Cuidados Imediatos

– Parar o processo da queimadura, retirando objectos que possam perpetuar  o processo (relógio, pulseira, anéis, lentes de contacto, etc).

Cuidados Iniciais

– Remocão das roupas queimadas ou intactas, nas áreas da queimadura.
– Avaliação clínica completa e registo do agente causal, da extensão e da profundidade da queimadura.
– Analgesia: oral ou intramuscular no pequeno queimado e endovenosa no grande queimado.
– Pesquisar história de queda ou trauma associados.
– Profilaxia do tétano.
– Hidratação oral ou endovenosa (dependendo da extensão da lesão).

Cuidados Locais

– Aplicação de compressas húmidas com soro fisiológico até ao alivio da dor.
– Remoção de contaminantes.
– Verificar queimaduras das vias aéreas superiores, principalmente em doentes com queimaduras na face.
– Verificar lesões da córnea.
– Em caso de queimaduras por agentes químicos, irrigar abundantemente com água corrente com baixo fluxo (após retirar o excesso do agente químico em pó, se for o caso), durante, no mínimo, 20 a 30 minutos. Não aplicar agentes neutralizantes, pois a reacção é exotérmica, podendo agravar a queimadura.

Queimadura de primeiro grau – tratamento

Analgesia via oral ou intramuscular e hidratação local com compressas húmidas.

Queimadura de segundo grau – tratamento

Além da analgesia e hidratação local, também é necessária a limpeza do local, desbridamento de flictenas (flictenas ou bolhas integras não precisam de ser desbridadas) e aplicação de curativos. O curativo pode ser realizado com pensos vaselinados (para não aderirem á lesão). Nos membros, o curativo deve ser oclusivo , mas deve evitar-se oclusão nas orelhas e no períneo. A troca do curativo deve ser feita a cada 2-3 dias até que se atinja a cicatrização entre os 8-10 dias. O doente deve ser mantido em repouso e com o membro elevado.
Os antibióticos são utilizados no caso de uma suspeita clínica ou laboratorial de infecção.
Queimadura de terceiro grau – tratamento
O doente deve ser encaminhado a um centro especializado no atendimento a queimados.