O prurido, também designado por coceira ou comichão é definido como uma sensação desagradável que provoca o desejo de coçar. Constitui-se no sintoma mais referido entre os doentes que procuram o médico de família por motivo dermatológico e pode estar associado à doença dermatológica específica ou sistémica, podendo comprometer a qualidade de vida do doente.

Prurido

Tendo em conta que o prurido é um sintoma de apreciação pessoal e uma mesma causa pode produzir mais prurido num doente do que noutro, esta circunstância deve ser tida em conta pelo médico na hora de valorizar o prurido. Didacticamente, podemos classificá-lo em seis categorias:

  • Dermatológico (psoríase, eczemas etc).
  • Sistémico (neoplasias e doenças metabólicas).
  • Neurogénico/neuropático (distúrbios no sistema nervoso central e/ou periférico).
  • Psicogénico.
  • Originado por causas mistas.
  • Originado por outras causas.

Neste Forum Vamos Descrever os Seguintes Tópicos

Causas

Há um prurido como sintoma numa série de dermatoses que consideramos “secundário” e outro não relacionável com aquelas ao que chamaremos “primário ou primitivo”. Em ambos os casos pode ser generalizado ou localizado.

Prurido primário ou primitivo generalizado:

– Prurido senil: é muito frequente; o idoso não apresenta elementos cutâneos e não pode explicar-se por doença sistémica, subjacente, xerose ou depressão.
– Prurido xerótico: trata-se da causa mais comum de prurido na ausência de sinais óbvios de lesão cutânea. Geralmente, manifesta-se no Inverno e é sentido principalmente nos membros inferiores e superiores. Melhora aplicando emolientes, evitando sabonetes básicos e banhos excessivos.
– Linfomas (doença de Hodgkin).
– Carcinomas (prurido paraneoplásico).
– Policitemia vera.
– Leucemias.
– Doenças hepatobiliares obstrutivas (prurido colestásico).
– Insuficiência renal com uremia (prurido renal).
– Diabetes e doenças tiroideias.
– Álcool e cafeína.
– Prurido psicógeno.

Prurido primário ou primitivo localizado:

– Prurido anal: definido como prurido localizado no ânus ou na região perianal. Ocorre em 1-5% da população geral e nos homens é mais frequente do que nas mulheres (4:1). O início é insidioso e os sintomas podem permanecer de 5 a 7 semanas até anos, antes do doente procurar o serviço médico.
– Prurido vulvar.
– Prurido cicatricial.

Prurido secundário generalizado :

– Urticária.
Dermatite atópica.
– Escabiose e pediculose.
Pitiríase rosada.
– Varicela.
– Toxidermias.

Prurido secundário localizado:

– Picaduras.
– Dermatite de estase.
– Síndromes escleroatópicas vulvares.

Tratamento

O tratamento do prurido de doenças dermatológicas primárias deve ser individualizado de acordo com a patologia, além das medidas gerais que podem ser aplicadas de maneira geral para todos os doentes.

Já as alterações sistémicas devem ser tratadas, não só com medidas gerais, para o alívio dos sintomas, mas principalmente deve focar-se o tratamento na patologia ou alteração de base.

Prevenção

– Uso de emolientes.
– Reduzir a frequência de banhos e evitar banhos quentes.
– Manter o ambiente humidificado.
– Evitar uso de substâncias vasodilatadoras (cafeína, álcool, água quente, condimentos) e suor excessivo.
– Prevenir complicações ocasionadas pela coceira, mantendo as unhas aparadas e limpas.
– Evitar o uso de medicações tópicas irritantes.

Conselhos higiénico-dietéticos no prurido anal

Os casos de prurido anal primário (idiopático) podem variar de 25 a 95% dos casos e várias hipóteses já foram formuladas na tentativa de esclarecer as causas deste sintoma. As causas mais comuns são: dieta (por exemplo, consumo excessivo de café), má higiene e/ou escoriação anal, distúrbios psicogénicos e radiação.

Os casos secundários com origem em causas identificáveis incluem hemorróidas, fissuras ou fístulas anais, infecções, psoríase, líque escleroso e outras dermatoses, além de doenças sexualmente transmissíveis e neoplasias.

É essencial manter a região perianal limpa, seca e evitar a agressão:

– Lavar a região perianal de manhã e ao deitar, com água tépida e sem sabão.
– Secar cuidadosamente com uma toalha de algodão, sem friccionar.
– Depois de evacuar, lavar de imediato e evitar utilizar papel higiénico, sobretudo de cor, já que leva corante. Na impossibilidade de fazer isso, utilizar toalhetes húmidos (sem álcool nem perfume) e aplicar de seguida uma compressa com água.
– Usar roupa interior larga e de algodão (evitar fibras sintéticas ou roupa de lã).
– Evitar substâncias como café, álcool, chá, chocolate, picante.
– As unhas devem estar cortadas muito rentes, para evitar as lesões por coceira, que podem depois infectar secundariamente.
– Evitar permanecer muito tempo sentado.

Tratamento Específico

Pode recorrer-se a corticosteróide em creme, devendo evitar-se o seu uso prolongado. Em muitos casos, é preciso associar anti-histamínicos de actuação sistémica, como a hidroxicina.

No tratamento do prurido em doentes com doenças dermatológicas primárias, analisaremos somente o prurido xerótico e o prurido anal.

Prurido xerótico: cremes/loções hidratantes, manter o ambiente humidificado, evitar banhos excessivos, sobretudo com água a temperaturas elevadas, bem como o uso excessivo de sabões.

Prurido anal: nos casos de prurido anal secundário, o tratamento será a correcção da causa subjacente. No entanto, nos casos em que o prurido anal é primário, o seu tratamento é difícil. Deve explicar-se ao doente que a sua doença é benigna, embora provavelmente reincidente.