Pitiríase versicolor é uma patologia cutânea formada por máculas arredondadas, esbranquiçadas sobre a pele bronzeada, mas com manchas acastanhadas nas áreas cobertas, dando a designação versicolor ou coloração variável.

Localiza-se principalmente no tronco, pescoço e abdómen. É frequente nos adolescentes e excepcional em idosos e crianças. Normalmente, é descamativa, fufurácea e pode dar prurido. Não é contagiosa.

Pitiríase Versicolor

(Saiba mais sobre: Pitiríase Alba – Tratamento, Causas e Sintomas e Pitiríase Rosada de Gilbert – Tratamento, Causas e Sintomas).

Neste Forum Vamos Descrever os Seguintes Tópicos

Causas

Considerava-se o fungo leveduriforme Malassezia furfur, o agente causal da pitiríase versicolor que seria a forma patológica de uma levedura comensal da pele humana, o Pityrosporum ovale. Este conceito tem mudado porque isolou-se M. globosa entre 55-80% dos casos e considerou-se o agente causal mais frequente.

O correcto seria dizer que o agente causal e algumas das sete espécies do género Malassezia. Actualmente, o género Pytorosporum é sinónimo de Malassezia.

Na sua fase de levedura, Malassezia encontra-se como comensal na pele seborreica e nos folículos pilosos; para produzir pitiríase versicolor é necessário uma transformação à fase micelial (patogénica). Para que esta mudança se realize é preciso que se reúnam condições favoráveis: factores predisponentes exógenos e endógenos.

Entre os endógenos, estão a predisposição genética, pele seborreica, hiperidrose, desnutrição, infecções crónicas e estados de imunossupressão. Entre os factores exógenos estão o calor, a exposição solar a humidade excessiva, actividades desportivas, uso de roupas de alto conteúdo de fibras sintéticas, aplicação de bronzeadores.

Sintomas

Os sintomas da pitiríase versicolor são:

– Máculas arredondadas, esbranquiçadas sobre a pele bronzeada, mas com manchas acastanhadas nas áreas cobertas, dando a designação versicolor ou coloração variável.
– Coceira (prurido ou comichão).

 Tratamento Tópico

Como norma, a via de tratamento de eleição será a tópica, deixando-se a sistémica para situações especiais como casos extensos ou recidivas frequentes.

Ao tomar duche pela manhã o doente deve usar como gel de banho, um champô de cetoconazol, sulfuro de selénio a 2,5%, ou de piritiona de zinco a 1%, deixando-os actuar 5-10 minutos antes de enxugar com água sobre a pele de todo o tronco, pescoço, braços e coxas, embora a extensão seja limitada.

Este ciclo aplica-se todos os dias, durante 2 a 4 semanas. Posteriormente, recomenda-se aplicar o tratamento 1-2 vezes ao mês para evitar recidivas ou em 3 dias consecutivos por mês. À noite, o doente aplica um antifúngico tópico em creme ou solução.

A duração do tratamento deve ser de 2 a 4 semanas. Outra opção é aplicar o champô sobre a pele deixando actuar toda a noite e retirar de manhã. As vantagens do tratamento tópico são a ausência de efeitos secundários e o menor custo económico.

Os inconvenientes são o odor desagradável de alguns produtos, o tempo de aplicação e a dificuldade da aplicação em determinadas zonas. Associa-se uma maior taxa de reincidência.

Tratamento Sistémico

Os fármacos mais empregues são os antifúngicos azólicos (cetoconazol, fluconazol, itraconazol).

Tratamento Sistémico na pitiríase versicolor

 

Fármacos                                            Posologia                                                           Duração

Cetoconazol                                        200 mg/dia                                                          10 dias

Itraconazol                                         200 mg/dia                                                          10 dias

Fluconazol                                          150 mg/ 1 vez por semana                                  3 semanas

200 mg / 12 horas                                           3 dias seguidos

 

Atenção: A terbinafina oral não é eficaz no tratamento da pitiríase versicolor.

A vantagem do tratamento sistémico é a comodidade. O inconveniente principal é a hepatotoxicidade. A hepatoxicidade pode aparecer aos 2-3 dias de tratamento, mas é mais frequente com o uso prolongado. Deve monitorizar-se a função hepática periodicamente durante os tratamentos longos, com mais de 1 mês.

O itraconazol tem menos efeitos secúndários hepáticos e menor interacção com outros medicamentos. Em geral, o risco de efeitos adversos em tratamentos curtos é mínimo.

Outros efeitos secundários mais leves são náuseas, vómitos, dor abdominal, diarreia e reacções cutâneas. Se existir prurido, deve prescrever-se um anti-histamínico.

Advertências importantes aos utentes com pitiríase versicolor.

– Avisar o doente de que as manchas ficam hipopigmentadas após exposição ao sol, mas pode apanhar sol.
– A persistência de lesões hipopigmentadas após a realização do tratamento correcto não indica a falha do mesmo. Tratam-se de lesões residuais que demorarão 2 ou 3 meses a desaparecer.
– A pitiríase versicolor é crónica e reincidente e que, sem tratamento preventivo, as recaídas são muito frequentes. Alguns medicos recomendam fazer profilaxia enquanto outros preferem tratar quando reaparece. Às vezes pode desaparecer na idade média ou avançada da vida. Em geral, com o tratamento tópico, verificar-se-á maior índice de recaídas do que com o oral.