A onicomicose, tinha das unhas ou tinea unguium, é a infecção das unhas causada geralmente por fungos dermatófitos e, muito menos frequentemente, por leveduras e fungos não dermatófitos:

Dermatófitos: principalmente, Trichophyton rubrum e Trichophyton megninii nas unhas das mãos e Trichophyton rubrum, Trichophyton memtagropbytes interdigitalis nas unhas dos pés, que são os responsáveis da maioria (80-90%) das infecções.

Leveduras: são responsáveis por 5-15% das onicomicoses em geral. A espécie mais frequentemente isolada é Candida albicans.

Fungos não dermatófitos: Aspergillus terreus, Fusarium oxysporum, entre outros. Geralmente associados a leveduras e dermatófitos. São responsáveis por 1-10% das onicomicoses.

  Contínua: 200 mg/dia                                Mãos: 3-4 meses, Pés: 6-8 meses                                  Intermitente: 200 mg/12 horas, (1.ª semana do mês).

(Veja aqui a nossa galeria completa de Fotos de Onicomicoses).

Estes dois últimos são geralmente invasores secundários a doenças prévias da unha ou traumatismos, enquanto os dermatófitos podem causar infecções primárias. É pouco frequente em crianças. Pode estar associada a tinea manun ou tinea pedis.

O contágio é mais frequente em ambientes húmidos, sobretudo piscinas, balneários e duches. O curso é lento e insidioso, afectando mais as unhas dos pés do que as das mãos. As unhas inicialmente são brancas mate e, mais tarde, amareladas ou acastanhadas.

A lesão pode ir progredindo e a lâmina ungueal (unha) engrossa-se, passando a ser hiperqueratósica deformada e friável, por acumulação de queratina subungueal, pode ainda perder-se a lâmina ungueal.

Causas

Os factores que favorecem esta infecção são a humidade, o calor e os microtraumatismos sobre as unhas, por exemplo, nos futebolistas. A incidência da onicomicose aumenta em profissões nas quais de maneira prolongada se expõem as mãos à humidade, como donas de casa, pessoal sanitário, de limpeza, cozinheiros, peixeiros, etc.

Também são mais frequentes em pessoas cujos pés transpiram muito e que, além disso, usam calçado apertado durante muitas horas.

Descrevem-se diferentes formas clínicas de apresentação:

Onicomicose subungueal distal lateral na qual a infecção fúngica se inicia na parte distal e lateral da lâmina e se vai expandindo progressivamente em sentido proximal, podendo chegar a afectar toda a lâmina. É a variante clínica mais frequente em pessoas imunocompetentes. É causada fundamentalmente por dermatófitos, sobretudo o T. rubrum. rubrum.

Onicomicose branca superficial, caracterizada pela presença de ilhotes brancos pequenos, opacos que só afecta superficialmente a lâmina ungueal. Os agentes causais mais frequentes são o t. trichopbyton e T. menantagrophytes var. interdigitalis.

Onicomicose subungueal proximal, quando a infecção acontece entre a lâmina e o leito ungueal, iniciando-se pela zona proximal. Causada por T. rubrum. Esta é a variedade clínica menos frequente na população geral, sendo comum em doentes com SIDA, e sendo considerada um marcador clínico em estádio inicial da infecção por VIH.

Onicomicose candidiásica: caracteriza-se pela apresentação de edema e eritema na região proximal e lateral das unhas. É mais frequente nas unhas das mãos e é propria de pessoas que mexem em água, diabéticos e imunodeprimidos.

Onicodistrofia total: é o estádio final da onicomicose por dermatófitos, leveduras ou fungos não dermatófitos. Há uma afectação da matriz ungueal e a totalidade da unha está destruída, aparecendo massas queratósicas friáveis. Qualquer das anteriores, particularmente a onicomicose distal lateral pode progredir à destruição total da placa ungueal.

Diagnóstico

O diagnóstico da onicomicose é clínico, epidemiológico e micológico. O aspecto clínico da lesão ungueal é orientador em relação ao agente, assim como á possível causa da onixite. Por exemplo, as onicomicoses de etiologia candidiásica acompanham-se de perionixe, de modo diferente da onicomicose causada por dermatófitos.

O aspecto epidemiológico é importante. Por exemplo, antecedentes de outras infecções relacionadas como tinea pedis, antecedente de traumatismos ungueais, a profissão podem ser orientativos do agente causal. O estudo micológico é a confirmação da causa micótica específica da onixite. O estudo micológico pode ser directo ou por cultura.

Tratamento

Entre as opções de tratamento disponíveis, encontra-se o emprego de tratamento antifúngico (tópico ou sistémico), a avulsão da unha (por meios mecânicos, cirúrgicos ou quuímicos), ou a combinação de ambos. O objectivo principal do tratamento antifúngico é atingir a curação micológica (confirmada mediante cultura) e clínica (unha de aparência normal).

Antes de iniciar o tratamento das onicomicoses, deve considerar-se:
– As diferentes formas de afectação da lâmina ungueal (unha).
– As diferentes modalidades de tratamento.
– A valorização da eficácia terapêutica tanto clínica como micológica.
– O facto de poder ser contínua ou intermitente.
– A avaliação da função hepática antes e durante o tratamento. No caso da terbinafina, realizar também um hemograma após o início do tratamento.
– A revisão da medicação concomitante para evitar interacções significativas.
– A realização do exame micológico, principalmente quando a onicomicose afecta as unhas das mãos.

Tratamento Sistémico

Entre os antifúngicos orais utiliza-se terbafina, derivados azólicos (itraconazol e fluconazol).

Terapêutica Sistémica da Onicomocose

terapeutica da onicomicose

Está descrita uma maior taxa de sucesso com a terapêutica contínua do que com a intermitente, além de ser uma posologia de mais fácil cumprimento para o doente. Assim mesmo, a terapêutica com a terbinafina é mais económica e apresenta escassas interacções farmacológicas ao contrário do fluconazol e itraconazol.

De forma resumida, diremos que a terbinafina em pauta contínua é o antifúngico sistémico de referência, pelo que podemos começar o tratamento com a terbinafina e esperar o resultado do exame micológico. No caso de a etiologia ser cândida, o tratamento será com fluconazol ou itraconazol e no caso de não dermatófitos será com itraconazol.

Tratamento Tópico

Lavagem das unhas com escova, água e sabonete. Depois, faz-se a aplicação tópica.

Indicações:

  • Em onicomicoses distais com afectação inferior a 50% da lâmina ungueal (unha) e que não atinge a matriz ungueal.
  •  Se são só uma ou duas as unhas afectadas, sempre que não seja a primeira unha do pé.

Terapêutica Tópica da Onicomicose

terapeutica da onicomicose 3

A taxa de sucesso com ciclopiroxolamina e o tioconazol é menor, por volta de 25%, pelo que a primeira escolha é a amorolfina a 5% verniz.

Tratamento Combinado

Os ensaios clínicos, em conjunto, mostram a obtenção de resultados mais favoráveis com a terapêutica combinada (tópica e oral) do que com as terapias orais únicas, sobretudo nas formas de onicomicose de maior dificuldade de tratamento (afectação da matriz ungueal ou mais de 80% da lâmina ungueal (unha)). Nós propomos o seguinte tratamento combinado: amoroldofina a 5% e terbinafina oral na posologia e duração descritas anteriormente.

Avulsão da Unha

Os casos que não possam ser tratados sistematicamente (idade avançada, gravidez, lactância, doença hepática)  e os que não respondem ao tratamento , podem ser tratados mediante avulsão mecânica, cirúrgica ou química da unha.

Prevenção

As Unhas devem ser cortadas de forma recta e não com bordos curvos para prevenir a infecção fúngica. Eliminar de forma mecânica com: tesoura, bisturi ou uma colher dermatológica a parte doente da unha. As unhas das mãos respondem antes e melhor ao tratamento que as dos pés, pela sua maior velocidade de crescimento.

A percentagem de reincidências ao longo de 1-2 anos depois de finalizar o tratamento é elevada, pelo que a sua prevenção é importante. O correcto cuidado dos pés é um dos aspectos em que o utente tem um importante papel.

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