Os nevos melanocíticos (NM) são tumores cutâneos benignos formados por acumulação de células névicas localizados na união dermo-epidérmica. São muito frequentes. Costumam apresentar-se como pápulas hemisféricas ou aplanadas e são da cor da pele normal ou hiperpigmentados, mas a distribuição de cor é uniforme. Localizam-se frequentemente na face e no tronco.

Apesar da sua benignidade, o seu estudo é importante, porque podem produzir problemas estéticos, ser acompanhantes de outras doenças e, finalmente e mais importante, podem ser precursores de um melanoma. Esta característica é a mais importante e transcendente de um ponto de vista médico.

Classificação

Nevos Melanocíticos Congénitos

São lesões presentes desde o nascimento ou manifestadas durante as primeiras semanas de vida. Costumam classificar-se segundo o tamanho. Assim, considera-se nevos melanocíticos congénitos pequenos os menores de 1,5 cm; medianos os compreendidos entre 1,5-20 cm e gigantes os maiores de 20 cm de diâmetro.

Nevos Melanocíticos Adquiridos

Aparecem depois do período perinatal. São muito frequentes. O número de lesões aumenta durante as primeiras décadas da vida. Um indivíduo adulto pode chegar a ter entre 15 e 40 lesões. Costumam ser arredondados, sem passar os 6 mm de diâmetro.

Costumam ser estáveis, embora não estáticos. Nos homens, predominam no tronco e, nas mulheres, nas pernas. Os nevos também podem sofrer alguma mudança durante a gravidez e o uso de anticonceptivos orais. No entanto, existem mudanças clínicas que indicam sinais de alarme, de possível malignização de um nevo melanocítico.

São os denominados critérios ABCD (Assimetria Bordos irregulares; Coloração eterogénea; Diâmetro > 6 mm). Perante a presença de algum dos sinais de alarme deve fazer-se exérese-biopsia da lesão. Actualmente, aceita-se que quanto maior o número de nevos adquiridos, maior possibilidade de desenvolver um melamoma.

Variantes do Nevos Melanocítico

Existe uma série de variedades clinicopatológicas do nevo melanocítico que convém reconhecer porque são distintas e, às vezes, permitem um diagnóstico diferencial clínico com o melanoma.

Nevos de Spitz

Trata-se de uma lesão benigna que pode confundir-se histologicamente com o melanoma. As lesões são nódulos avermelhados, que podem sangrar com facilidade e têm 1-2 cm de diâmetro. A maioria aparece em crianças e adolescentes e a localização mais frequente é a face.

Nevo azul

Apresenta-se em forma de pápula hemisférica bem delimitada, de superfície lisa e brilhante e cor entre cinzento-escuro e azul-preto. Esta coloração deve-se à presença de melanócitos entre a derme profunda e media.

Nevos de Sutton ou halo nevo

Consiste no aparecimento de um ou mais nevos melanócitos de um halo acrómico ao seu redor que, em ocasiões, conduz à hipocromia do nevo e mesmo ao seu desaparecimento. Acontece com maior frequência em crianças e adolescentes e a sua localização mais comum é as costas.

Nevo de Spilus

O nevo de Spilus é um tipo especial de nevo melanocítico congénito.

Tratamento

A maioria dos nevos melanocíticos não devem tratar-se e é fundamental assegurar ao doente que não representam nenhum perigo. Existe uma série de situações em que se pode aplicar um tratamento cirúrgico.

Tratamento Cirurgico dos Nevos Melanocíticos

História familiar de melanoma ou nevo displásico.
Localização em zonas de difícil autocontrole.
Localizações especiais.

  • Mucosa oral genital.
  • Partes acras.
  • Matriz e leito ungeais.

Características clínicas da lesão que surgem malignidade/atípica clínica.

  • Assimetria.
  • Bordo irregular.
  • Cor heterogénea.
  • Diâmetro > 6 mm.

Evolução atípica.

  • Aparecimento de sintomatologia associada (prurido, dor).
  • Aumento de tamanho rápido.
  • Mudança de superfície.
  • Sangramento espontâneo.

Doentes de fenótipo I-II submetidos á exposição solar habitual ou a outras fontes de radiação ultravioleta.

Fotos de Nevos Melanocíticos

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