A Lepra ou hanseníase é uma doença infecto-contagiosa crónica, que evoluciona por surtos, causada pelo bacilo de Hansen. A lepra não é muito infecciosa. Transmite-se através de gotículas com bacilos, expelidas pelos próprios doentes leprosos, através do nariz e da boca, em contactos estreitos e frequentes.

São sinónimos de lepra doença de Hansen ou hanseníase, designações hoje adoptadas em praticamente todo o mundo, nomeadamente no Brasil, pelo preconceito da palavra lepra.

O interesse desta entidade em países com alto nível sanitário radica na possibilidade de poder ser transmitida por imigrantes procedentes de países endémicos africanos, nos casos particulares de Espanha e Portugal.

Por seu turno, o interesse de que o médico de família conheça esta patologia baseia-se no facto de, apesar de existir, a lepra ter cura.

Lepra

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Causas

A causa da lepra é produzida pela bactéria bacilo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de Hansen, em memória do seu descobridor, o médico norueguês Gerhard Armaner Hansen, no ano de 1873.

O Mycobacterium leprae multiplica-se muito devagar. É difícil precisar o tempo de incubação, já que intervêm diversos factores: por um lado, a resistência ao bacilo e, por outro, o estado imunológico do doente. Assim, o período de incubação da doença é bastante variável (2-7 anos) e os primeiros sintomas podem tardar até 8-10 anos a aparecer.

A lepra tem duas formas comuns de manifestação: a tuberculóide e a lepromatosa, as quais têm subdivisões adicionais. Ambas as formas ocasionam lesões na pele, sendo o primeiro sinal com frequência uma mancha ou mácula mais clara do que a pele circundante, mas a forma lepromatosa é a mais severa e produz grandes nódulos deformantes. Referiremos sucintamente alguns aspectos clínicos de ambas.

Na lepra tuberculóide a evolução é lenta, benigna e não progressiva. As alterações cutâneas são máculas e pápulas eritematosas, acompanhando-se de hipoestesia.

Na lepra lepromatosa a evolução é progressiva e maligna, as alterações cutâneas correspondem a aspectos variados (máculas, nódulos, infiltração), surgindo em geral com distribuição simétrica, ao contrário do que acontece nas formas tuberculóides. É a forma contagiosa da doença. As lesões neurológicas são frequentes, embora, por vezes, sejam inconstantes ou inexistentes.

Todas as formas desta doença causam finalmente dano neurológico periférico (dano nervoso em braços e pernas) que ocasiona perda de sensibilidade cutânea e debilidade muscular. O nervo cubital, na face posterior do cotovelo, é o nervo que com mais frequência se engrossa na lepra.

Palpar ambos os nervos cubitais ajudará a fazer o diagnóstico. Para palpar o nervo cubital de um doente, deve apanhar-se a mão, como se for a cumprimentar, e com a outra mão palpar a parte posterior do cotovelo, desde a face externa à interna.

Actualmente, em nove países da África, Ásia e América Latina, a lepra continua a considerar- se um problema de saúde pública. Esses países representam aproximadamente 75% da carga mundial da doença. Em Portugal, em 1988, estavam registados como tendo doença de Hansen 1482 doentes.

Ainda é preciso fazer grandes esforços para conseguir eliminar a lepra em cinco países: Brasil, Índia, Madagáscar, Moçambique e Nepal. O último leprosário da Europa encontra-se em Espanha: o Sanatório de São Francisco de Borja, em Vall de Laguart (Alicante).

Sintomas

Os sintomas da Lepra são:

– Maior sensibilidade na zona afectada.
– Mancha ou mácula mais clara do que a pele circundante.
– Máculas e Pápulas eritematosas.
– Nódulos infiltrados.

Diagnóstico

A doença de Hansen deve ser sistematicamente pesquisada em todas as pessoas que possuam lesões cutâneas, perturbações nevríticas ou a associação de ambas e que vivam, ou tenham vivido, em regiões onde a lepra é endémica (Moçambique e Brasil).

A pesquisa do agente efectua-se no muco nasal e nas lesões cutâneas, por biopsia ou raspagem.

Tratamento

Perante a suspeita do diagnóstico e devido às conotações sanitárias e sociais, o doente deve ser encaminhado para o dermatologista. Pela mesma razão, deve ser guardado ao máximo o sigilo profissional.

Um grupo de estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, em 1981, a terapia multimedicamentosa (TMM) que continua a manter-se. A TMM consiste em três medicamentos: dapsona, rifampicina e clofazimina. Esta combinação farmacológica mata o patógénio e cura o doente.

A TMM é segura e eficaz e pode administrar-se com facilidade sobre o terreno. O medicamento está disponível para
todos os doentes em forma de práticos blísteres programados para uso mensal.

foto Hanseníase LEPRA

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