O impetigo é uma infecção cutânea superficial, que se apresenta com mais frequência nas crianças entre os 2 e 5 anos e que surge predominantemente no Verão. Pelo perigo de contágio, é uma doença de evicção escolar. Existem duas formas clínicas: o impetigo bolhoso e o impetigo não bolhoso.

O impetigo não bolhoso representa a forma mais frequente, mais de 70% e começa com lesões vesiculares ou pustulosas de 1 a 4 mm de diâmetro que rapidamente se rompem e evoluem para flictenas e crostas grossas de aspecto melicérico, cor de mel, não dolorosas, sem febre ou outros sinais de doença. Pode encontrar-se adenopatias.

Localiza-se preferencialmente na face, à volta das narinas ou dos lábios, ou nos membros inferiores, em pele previamente traumatizada, muitas vezes após picada de insecto. Posteriormente, dissemina-se para outras zonas do corpo pelas mãos, por transmissão directa de outras crianças nos infantários e escolas e ainda por toalhas ou roupas infectadas.

O impetigo bolhoso caracteriza-se pela presença de flictenas superficiais de 5 a 30 mm de diâmetro que facilmente se rompem, originando uma crosta fina com aréola descamativa. Afecta qualquer área da superfície corporal, embora seja mais frequente em zonas expostas da face, ao redor da boca, nariz ou extremidades. Raramente se observa adenopatia regional. Em ambas as patologias, a sensação de dor, febre ou o compromisso do estado geral são excepcionais.

Impetigo

(Ver aqui Fotos de Impetigo).

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Causas

A etiologia de impetigo bolhoso é sempre o Stapbylococcus aureus. Relativamente ao impetigo não bolhoso, têm ocorrido estudos epidemiológicos importantes nos últimos anos em relação ao agente causal. Observa-se uma clara predominância do Stapbylococcus aureus, quer seja na forma única ou associado a outros microrganismos, nomeadamente o Streptococcus pyogenes ou Streptococcus do grupo B.

Clinicamente não é possível distinguir um impetigo não bolhoso em que se isola Stapbylococcus aureus daquele causado por Streptococcus pyogenes, pelo que a primeira aproximação terapêutica se baseia nos achados epidemiológicos da população afectada. O seu diagnóstico e tratamento realizam-se fundamentalmente com base em critérios clínicos.

Sintomas

– Sensação de dor, febre ou o compromisso do estado geral são sintomas excepcionais.

Tratamento

– Ter uma higiene meticulosa das mãos com sabonetes anti-sépticos, como clorexidina, e cortar as unhas para evitar o contágio e a auto-inoculação.

– Não partilhar toalhas nem outros objectos pessoais.

Tratamento Tópico

– Se existirem, as crostas devem ser eliminadas antes da aplicação tópica do antibiótico. Aplica-se azeite (pode utilizar-se azeite de oliveira ou óleo de girassol) nas crostas para as amolecer. Deixar actuar durante 15-20 minutos e depois tirar as crostas com água sabão ou soro fisiológico (temperatura tépida). Fazer 2 vezes ao dia.

– Posteriormente, aplicamos o antibiótico tópico em forma de creme (ácido fusídico a 2%, 4 vezes ao dia ou mupirocina a 2%) nas áreas previamente ocupadas pelas crostas e nas fossas nasais para limpar o reservatório de estafilococos. Ambos os antibióticos possuem capacidade bactericida contra o estafilococo e o estreptococo.

Tratamento Sistémico

Indicações:

– Formas de impetigo com grande extensão ou em que continuam a aparecer novas lesões passadas 72 horas.
– Localização difícil de tratar (região perioral, pregas).
– Se afecta vários membros da família ou da escola.
– Se existem factores subjacentes como dermatite atópica ou diabetes.

Clinicamente, não é possível reconhecer o agente causal do impetigo bolhoso e a realização de culturas não é um método que na prática se possa realizar na Medicina Familiar. O staphylococcus aureus é o agente causal mais comum do impetigo bolhoso e não bolhoso na população infantil e a flucloxacilina é um bom tratamento de primeira linha para esta afecção.

– Crianças: flucloxacilina: 50-100 mg/kg/dia/8 horas.
– Adultos: flucloxacilina: 500 mg/6 horas.

O tratamento deve durar um mínimo de 7-10 dias ou até 3 dias após a melhoria clínica. Devem usar-se macrólidos no caso de hipersensibilidade a b-lactâmicos. Uma complicação no impetigo causado por estreptococos é a glomerulonefrite, que se manifesta por edema palpebral, de predominio matinal e a hematúria macróscopica, três semanas depois, pelo que devemos vigiar a urina e advertir o utente.

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