A dermatite atópica, ou eczema atópico, é uma dermatite inflamatória de curso crónico, recorrente e hereditária, que apresenta prurido, e na qual existe frequentemente uma associação de manifestações cutâneas com asma e/ou rinite vasomotora. A dermatite atópica afecta 10% da população geral, 90% dos casos aparecem nos primeiros cinco anos de vida.

O conceito “atopia” é intruduzido em 1923 por Coca e Cooke, englobando uma série de manifestações (rinite, asma e dermatite) que se apresentavam num mesmo doente como resposta a uma hipersensibilidade. A actual expressão “dermatite atópica” é introduzida por Wize e Sulzberger, em 1933, que reuniram numa mesma entidade os múltiplos eczemas e manifestações relacionadas, descritos até então de forma isolada e anárquica.

Causas

Na dermatite atópica intervêm duas classes de factores: predisponentes e desencadeantes:

– Predisponentes: herança genética, asma, rinite e dermatite.

– Desencadeantes: os doentes com dermatite atópica estão sensibilizados a uma ou várias substâncias do mundo exterior como, por exemplo, penas, pêlos, escamas epidérmicas de diversos animais, lãs, pó, peixe, crustáceos, farinhas, chocolate, châ, café, entre outros.

Estigmas associados à dermatite atópica

Ainda que a clinica clássica facilite o diagnóstico, aparecem na dermatite atópica manifestações que, sem serem patognomónicas, orientam o diagnóstico:

– Alterações emocionais: são doentes instáveis, com marcada hostilidade para com parentes próximos e o próprio médico. Em conjunto, têm um carácter difícil e agressivo.

– Prega de Dennie-Morgan: é uma prega da pele em situação inferior às pálpebras inferiores, geralmente presente a partir dos 4 anos.

– Queratose pilar, pitiríase alba, xerose.

Sintomas

– Pele vermelha na área afectada.
– Coceira (comichão).
– Ardor na área afectada.
– Bolhas.

Tipos de Dermatite Atópica

– Infantil precoce (2 meses a 1 ano): lesões exsudativas na cara, regiões genianas, frontal e no mento.

– Infantil tardia (4 a 10 anos): localizada na zona de flexão dos cotovelos, joelhos e outros. As crianças apresentam-se com prurido intenso e irritado. Muitas vezes associa-se a asma ou rinite alérgica. É frequente existir história familiar de atopia (50% dos casos).

– Adultos (pós-puberal, depois dos 12-14 anos): as lesões apresentam-se, habitualmente nas zonas de flexão dos cotovelos, virilhas, axilas e têm características mistas entre eczematização e liquenificação. Prurido constante. Intolerante à lá e à seda.

Tratamento

Deve informar-se os pais ou cuidadores sobre os seguintes aspectos:

– Esta situação é remitente e recorrente e melhora com a idade (em muitos casos, cura-se de maneira espontânea e definitiva).

– O tratamento não é curativo, mas permite um bom controlo da doença.

– Existem medidas gerais que ajudam a prevenir as aguadizações. Assim, aconselha-se diminuir o número de banhos, nos quais devem utilizar sabonetes super gordos,  principalmente aqueles que contêm aveia, azeite de coco ou glicerina, ou agentes sem detergente.

– Após o banho, é conveniente aplicar cremes hidratantes que melhoram a hidratação cutânea e aliviam o prurido.

– Devem evitar-se os factores ambientais que desencadeiam as agudizações de eczema: mudanças bruscas de temperatura, roupa de lã ou tecidos não transpiráveis, ambientes secos, pó doméstico e contacto com animais “de pêlo” ou com lugares em que estes habitam.

Tratamento Farmacológico

Tratamento  tópico da fase aguda (eczematosa)

Soluções: o principal objectivo nesta fase é a secagem das lesões. Aplicaremos soluções de compressas empapadas em soluções adstringentes, como chá de camomila a temperatura morna ou em soro fisiológico, sobre a pele afectada, durante 10 minutos, 2-3 vezes ao dia. Posteriormente, remoção de crostas e lavagem.

Corticóide tópico debaixa potência e nova geração em creme, 1-2 vezes ao dia, exclusivamente, nas lesões eczematosas, depois do segundo dia de aplicação de soluções. Podemos aplicar um esteróide de baixa potência como a hidrocortisona a 1% em pregas, pálpebras e genitais e um de nova geração como o propionato de fluticasona, aceponato de metilprednisolona ou furoato de mometasona, fora dos locais referidos.

Uma só aplicaçáo ao dia é suficiente e a sua aplicação à noite implica uma maior permanência. Devem aplicar-se 7-14 dias como máximo e de acordo com a evolução suspendê-los, mesmo na ausência de melhoria, para evitar os seus efeitos secundários. Considerando este aspecto, não é necessária a suspensão progressiva do esteróide. A aplicação na região periorbitária terá de ser cuidadosamente vigiada, para prevenir glaucoma, cataratas.

Os imunomoduladores tópicos, como o tacrolímus e o pimecrolímus, representaram uma alternativa e um avanço no tratamento desta patologia. Devem aplicar-se de maneira intermitente e não contínua, em camada fina, em qualquer parte do corpo, incluindo o rosto.

Deve tratar-se até ao desaparecimento dos sintomas, após o que o tratamento deve ser descontinuado. De modo geral, observa-se uma melhoria 1 semana após o início do tratamento. Não se recomenda em crianças com idade inferior a 2 anos. Não se deve aplicar em oclusão.

Tratamento tópico da fase crónica

Lubrificantes: nesta fase, predomina a liquenificação, como resultado do prurido, pelo que é necessário o uso constante de lubrificantes 2-3 vezes ao dia, como o óleo de amêndoas doces.

Corticosteróides tópicos de média potência, em pomada.

Antibiótico tópico: o ácido fusídico em pomada é uma boa escolha se houver extensas ou impetiginizadas e, portanto, necessidade de usar antibióticos.

Nas lesões agudas (exsudativas), escolhemos tópicos em loção ou creme, ao passo que, nas lesões subagudas ou crónicas (descamação, liquenificação), são preferíveis as pomadas.

Tratamento Sistémico

Anti-histamínicos por via oral são parte fundamental do tratamento da dermatite atópica, para o controlo do prurido, eventual sedação e romper o círculo prurido-coceira-mais-prurido. Não têm qualquer efeito directo sobre as lesões. Os anti-histamínicos de primeira geração são mais eficazes no controlo do prurido e destes a hidroxizina é o que tem melhores resultados, embora tenha um grande efeito sedativo.

As dosagens recomendadas são: em crianças, 2 mg/kg/24 horas, repartidas em 2 doses e, nos adultos, 25-50 mg/12 horas. A loratidina tem segurança na população infantil, sem os efeitos sedativos da hidroxizina. A dose recomendada é: 1-12 anos ou 30 kg 5 mg/dia e 12 anos ou 30 kg 10 mg/dia.

Antibióticos: devido à frequente colonização pelo Staphylococcus aureus, justifica-se o uso de antibióticos resistentes às penicilinases, como a flucloxacilina ou cefalosporinas orais. Em caso de alergias a estes antibióticos, a eritromicina, via oral de 12-12 horas, é uma boa alternativa.

Atenção: No inicio de vida, é difícil fazer o diagnóstico entre a  dermatite  atópica e dermatite seborreica no lactente. Por vezes, apenas a evolução ao fim dos primeiros meses permite fazer um diagnóstico correcto. Assim, devemos esperar que a dermatite seborreica do lactente fique resolvida, ao fim dos primeiros meses de vida.

Fotos de Dermatite Atópica

Outros tipos de Dermatites (Eczemas)

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia.
    Sou o Francisco e tenho 40 anos.
    Tenho eczema facial que me tira o descanso, com inicio em Março deste ano.
    É incrível mas só aparece na testa, face, pálpebras e pouco no pescoço, (ou seja, na face).
    Ando na consulta de dermatologia e até ver nada!
    Receitou protopic pomada, e anti- histamínicos (Aerius, de manhã e noite, Zyrtec dps do almoço e bilaxten à tarde).
    Tenho tido melhoras, mas nunca superiores a uma semana, depois, lá vêm outra vez as manifestações de irritabilidade, umas vezes leves que dá para ir trabalhar e outras muito fortes que tenho de ficar em casa.
    Vou repetir analises que são dermatológicas, alergológicas, sangue e IGE, que anteriormente deu tudo negativo.
    Será que alguém me pode dar informações, no sentido de me ajudar a ter uma vida normal.
    As melhoras e sucesso para todos!

    Francisco carvalho.

    • Olá Francisco,

      a minha filha tem dois anos e passa os mesmos tormentos que descreveu no seu texto. No entanto, consegui controlar o problema de forma autónoma, ou seja, deixei de fazer tudo o que os médicos mandavam e comecei a pesquisar na internet várias alternativas naturais…e especialmente a partir do creme Lipikar da la Roche Posay que contém manteiga de karité ( foi o único que ia tendo alguns resultados) comecei a pesquisar sobre a manteiga de karité, de coco etc. Mandei vir da amazon, shealite manteiga de karité e manteiga de coco Tiana, derreti os dois em banho maria muito lentamente, bati durante 4 minutos, com a batedeira, levei ao congelador durante 4 minutos, e repeti o processo até ter um creme. Comecei a aplicar o creme na minha filha sempre que lhe mudava a fralda, ou seja, pelo menos umas 5 vezes por dia. Comecei a usar sabonete de manteiga de karité e um champo natural sem químicos, água do poço e não da companhia com chá de camomila e leite de aveia, reduzi os banhos e a sua temperatura….em momentos mais graves envolvia a zona em creme e atava com uma ligadura o que também se provou eficaz. Comecei também a usar o cicaplast da La roche posay intercalado e especialmente nos dias mais quentes porque a manteiga pode ser um pouco incomodativa quando está calor.É muito importante ter uma alimentação saudável, sem muito leite de vaca e sem muitos alimentos com glúten, usar roupas largas e de algodão, não usar químicos, amaciadores, perfumes …. com isto tudo a minha filha não ficou curada, mas está deveras melhor….com todos os eczemas controlados. Boa sorte!

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